segunda-feira, 15 de julho de 2013

Aquela lágrima


















Uma lágrima.

Apenas uma. Mas intensa o suficiente para lavar uma alma.

Ela descia dos olhos de seu filho, apenas uma criança, aquela a quem havia ensinado o amor por aquele clube. No entanto, ela não era tristeza ou decepção. Ela não era dor.

Por um segundo, aquela lágrima parou o tempo. Os olhos fixos no filho, lhe trazia uma lembrança: Serra Dourada, 1981. Há mais de 30 anos, aquela lágrima foi sua. Num jogo daquele mesmo campeonato. Um adversário com as mesmas cores. Foi sua primeira ferida.

Mas hoje… hoje aquela lágrima era diferente, hoje era uma nova história. Hoje era o seu filho. E de certa forma era ele também.

Naquele momento, o sentimento de milhões era mais ainda apenas deles, os dois, pai e filho. Uma mesma emoção que os ligava e os arrebatava com uma intensidade que apenas os dois entendiam. Bastava um olhar para compreender isso.

Aquela lágrima, a primeira do filho por aquele time, além de significar muito, era também um banho em sua alma de pai. Uma fagulha prestes a se tornar explosão. Das mais intensas e de brilho único.

Naquele atmo de instante, os fogos trouxeram cor à noite preta e branca. Ainda não era o fim, mas um ciclo se encerrava. Aquele fragmento de tempo era um recomeço, uma era especial que nascia para aquela jovem geração de lágrima nos olhos.


Um choro que exorcizava fantasmas. Hoje, mais do que nunca, aquela lágrima simbolizava aquele clube, aquela torcida, aquele dia, aquela bola. Por isso era tão especial. Por isso era único. Por isso era verdadeira como nenhuma outra.

Dantex