Desta vez, o varal e o manto foram mais fortes...
A Alma do Horto
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Aquela lágrima
Uma lágrima.
Apenas uma. Mas intensa o suficiente para lavar uma alma.
Ela descia dos olhos de seu filho, apenas uma criança, aquela a quem
havia ensinado o amor por aquele clube. No entanto, ela não era tristeza ou decepção.
Ela não era dor.
Por um segundo, aquela lágrima parou o tempo. Os olhos fixos no filho,
lhe trazia uma lembrança: Serra Dourada, 1981. Há mais de 30 anos, aquela lágrima
foi sua. Num jogo daquele mesmo campeonato. Um adversário com as mesmas cores. Foi
sua primeira ferida.
Mas hoje… hoje aquela lágrima era diferente, hoje era uma nova
história. Hoje era o seu filho. E de certa forma era ele também.
Naquele momento, o sentimento de milhões era mais ainda apenas
deles, os dois, pai e filho. Uma mesma emoção que os ligava e os arrebatava com
uma intensidade que apenas os dois entendiam. Bastava um olhar para compreender
isso.
Aquela lágrima, a primeira do filho por aquele time, além de
significar muito, era também um banho em sua alma de pai. Uma fagulha prestes a
se tornar explosão. Das mais intensas e de brilho único.
Naquele atmo de instante, os fogos trouxeram cor à noite preta e
branca. Ainda não era o fim, mas um ciclo se encerrava. Aquele fragmento de
tempo era um recomeço, uma era especial que nascia para aquela jovem geração de
lágrima nos olhos.
Um choro que exorcizava fantasmas. Hoje, mais do que nunca, aquela
lágrima simbolizava aquele clube, aquela torcida, aquele dia, aquela bola. Por
isso era tão especial. Por isso era único. Por isso era verdadeira como nenhuma
outra.
Dantex
Foto: Gabriel Castro
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